Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

Em qual playlist quer adicionar esta peça?

Tem a certeza que pretende eliminar a lista ?

Necessita de estar registado para adicionar favoritos

Login Criar conta

Jorge de Sena

Sobre o autor

Nasceu em 1919. Foi poeta, ficcionista, crítico, ensaísta, historiador e tradutor e é considerado um dos mais influentes intelectuais portugueses do século XX. Editou a sua primeira obra em 1942. Acabou por exilar-se no Brasil depois de participar, em 1959, num golpe revolucionário que foi abortado. Contudo, devido à instabilidade que se registou com a ditadura militar, mudou-se para os Estados Unidos da América onde assumiu funções de professor de Literatura Portuguesa em universidades. Deixou uma vasta obra de ficção, drama, ensaio e poesia.