Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Raul de Carvalho

Sobre o autor

Poeta português, nasceu em 1920 no Alvito. A obra que produziu revela a sua ligação ao neo-realismo. A fidelidade ao humano e o estilo enumerativo e anafórico são algumas marcas da sua escrita. Recebeu, em 1956, o Prémio Simón Bolívar, do concurso internacional de poesia realizado em Siena, Itália. Foi incluído nos 100 melhores poetas do século XX português, por Jorge de Sena, e considerado por Eduardo Lourenço como herdeiro de Álvaro de Campos.