Há postos para a poesia?

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In ti mi da de

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Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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A cantiga da Ribeirinha

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Poesia: palavra em voz alta desde sempre, milénios antes das calendas da rádio. Aqui se diz um dos mais antigos poemas das raízes da língua portuguesa, ainda com sotaque galaico-português.

Com voz de Ana Sofia Paiva e música de Marco Oliveira, o poema data de finais do séc. XII, escrito pelo trovador Paio Soares de Taveirós.

 

 

No mundo nom me sei parelh’,
Mentre me for como me vai,
Ca já moiro por vós e ai!
Mia senhor branc’ e vermelha,
Queredes que vos retraia
Quando vos eu vi em saia?
Mao dia me levantei,
Que vos entom nom vi fea!

 

E [ai!], mia senhor, des aquelh’
dia, me foi a mi mui lai.
E vós, filha de dom Paai
Moniz, e bem vos semelha
D’haver eu por vós garvaia?
Pois, eu, mia senhor, d’alfaia
Nunca de vós houve nem hei
valia d’ũa correa.

 

Fonte: Cantigas Medievais Galego-Portuguesas / UNL

 

 

No mundo ninguém se m’assemelha
Enquanto a vida for como vai,
Cá já morro por vós e ai!
Minha senhora branca e rosada,
Quereis que vos retrate
Quando eu vos vi sem manto?
Mau dia em que me levantei
E então não vos vi feia!

 

E, ai, minha senhora, desde aquele dia
Tudo corre muito mal,
E a vós, filha de Dom Paio
Moniz, parece-vos bem
Que vos presenteie uma garvaia?
Pois eu, minha senhora, de presente,
Nunca de vós tive ou terei
O mimo de uma correia.

 

 

Atualização livre

 

 

data de publicação
13.02.2022