Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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A solidão é um nadador desaparecido

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Atravessar os desertos dentro da gente

Dançar um tango num salão vazio

Serrar os ossos

Esconder as promessas de amor num sótão úmido

Alimentar os ratos com vesícula & maçã

Um adeus breve como quem mareja os olhos

Numa despedida na rodoviária da cidade natal

O lamento selvagem do desespero de Deus

Uma mãe que carrega uma criança morta

Os silêncios das imagens noturnas

O tempo cheio de ausências

O pulmão azul de um tuberculoso

dobra-se mudo sobre as gargantas

 

 

 

 

De A ressaca do mar trincou meus ossos (Loitxa Lab, 2021)

gravação
Jean Albuquerque
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca