Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Felipe André Silva [compacto]

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A maior parte dos poemas que criei a partir de 2017, quando inicio meu interesse e produção de uma poesia um pouco mais madura, estava atrelada a duas únicas frentes: ou o duro sentimento de ser uma vítima de abuso, ou a frustração com uma vida afetiva tumultuada e tateante. Nos últimos anos, ainda que com a produção diminuída por um hiato criativo, estabeleceu-se uma vontade de tentar apontar as pulsões para um lugar um pouco mais positivo, por assim dizer. Positivo com os sentimentos, experiências, maneiras de filtrar o mundo. Os dois poemas que compõem essa seleção foram feitos antes desse período revisionista, mas contêm muito de um humor e de um afeto menos trágico, que viria a me conduzir mais à frente. Não estou feliz, a diferença é que estou tentando, e meus escritos tentam também.

 

 

Felipe André Silva

data de publicação
10.08.2022
gravação
Felipe André Silva
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca