Ilha dos Poetas Vivos

Estátuas
Neste país as estátuas desdenham alturas.
Traficam na praça, devassam estradas
Têm mãos pensativas e barro na planta dos pés.

Conceição Lima

 

 

No Dipanda escutamos vozes de poetas africanos nascidos depois de 1975. Neste episódio o palco é do coletivo Ilha dos Poeta Vivos, amantes da arte de dizer, musicar, dramatizar e cantar poesia. Conheci-os em junho na ilha de São Tomé, no contexto da Bienal de Artes e do Roça Língua. Os poetas Marty Pereira, Remy Diogo, Janaína Conceição, Raquel Lima e MILTONeladas abrem-nos o mundo desde a ilha onde vivem. Quando os poemas foram gravados, o grupo preparava A Caixa, uma performance poética que ambicionava ativar caminhos de libertação, “segredos clandestinos, verdades proféticas e viagens ancestrais”. Também nas suas palavras, pretendiam pensar fora da caixa e romper com paradigmas coloniais encaixotados. Uma libertação individual e coletiva que identifica as muitas caixas destruídas ao longo da história.

O que fazer depois da redescoberta de nós?, era o que os poetas indagavam, ali, naquelas terras do golfo da Guiné.

 

Marta Lança

 

 

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O show de Góis

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Tem gente que fala que isso não é legal
O que não é legal é desigualdade social
Não quero atrapalhar sua leitura
Só vim para trazer um pouco da minha cultura

 

Falo com o pessoal da era digital
Hoje em dia até o sentimento é virtual
O pessoal vê vídeo e foto e vai dar um like
Mas se vê o artista sempre quer ajudar mais tarde

 

Tio Góis

 

 

O primeiro Palavras Roubadas capta rimas improvisadas na linha de comboio de Lisboa-Cascais. Entre o compasso da viagem e a repetição da paisagem, Góis surge como um profeta urbano. Natural de Goiânia, 32 anos, segue a trilha do hip-hop que iniciou em São Paulo, onde fazia beat-box numa das primeiras duplas a atuar em transportes, há 15 anos (ainda não havia colunas portáteis). As saudades da namorada e o cansaço da carreira musical na grande metrópole trouxeram-no a Portugal. O regresso aos comboios, agora como Mestre de Cerimónias, é o trabalho que lhe paga as contas e o sonho de gravar um disco e resgatar a sua vida de músico. Pelo caminho, espalha rimas bem humoradas nas carruagens, com o embalo da crítica social que é a raiz do hip-hop. Em cada pessoa encontra uma história, encadeada num mantra em forma de rap.

GRAVAÇÃO E MONTAGEM
Oriana Alves
Masterização
Nuno Morão