Miguel Cardoso [compacto]

Os poemas escolhidos atravessam vários dos meus livros, onde muitos deles integravam sequências mais longas, a que foram arrancados. Ao dar-lhes esta nova morada precária, procurei fios ou ecos que formassem uma nova sequência, tendo como mote a ideia de travessia: como abrir caminho – no espaço, mas, mais ainda, no tempo? Entre outras coisas, estes poemas tratam do que o ontem nos deixou, da engrenagem das horas, do emprego dos dias, de avanços e recuos, de regressos e reveses, de parêntesis e promessas, da incerta antecipação de amanhãs. Os versos encadeiam-se e, ao mesmo tempo, hesitam, engasgam-se, saltam como agulha num disco descontínuo. Não é, portanto, apenas um encadeamento de poemas, mas uma sequência de poemas sobre o próprio processo de encadear, que vejo como um dos problemas centrais da poesia. Mesmo se o poema se esquece disso, a sua passagem à voz recorda-o: vê-se forçada a atravessar um terreno acidentado, a negociar a difícil passagem de um verso para o seguinte. Como os poemas, os dias.

 

Miguel Cardoso

Em qual playlist quer adicionar esta peça?

Tem a certeza que pretende eliminar a lista ?

Necessita de estar registado para adicionar favoritos

Login Criar conta

Patrícia Lino [compacto]

Partilhar

“Usina nuclear”, “Manual para decapitar heróis”, “Dearest Mr. Jones”, “Axé, mundo”, “Amor transatlântico”, “A luta endiabrada de um braço” e “Acima dos livros e da terra” são poemas recentes. Os 6 primeiros foram publicados em revistas e antologias brasileiras durante o ano de 2021. O último continua inédito. Uns fazem parte do livro de poemas em que trabalho agora, outros não têm lugar ainda.

 

 

 

Patrícia Lino

data de publicação
08.11.2022
gravação
Patrícia Lino
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca