Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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*um primeiro um após

um primórdio um primário

um primícia um preceito

um proposta um receio

um resposta um retido

todos : tudo : sobre o destruído

Ana Hatherly

 

 

 

Ana Hatherly é uma referência marcante de José Valente e Marta Bernardes, que atravessa os seus percursos artísticos individuais e está presente no projeto que mantêm enquanto dupla: PuLso – nova poemúsica portuguesa. Para a versão de um primeiro um após, poema visual incluído na antologia “Um calculador de improbabilidades”, a melodia (feliz) surgiu naturalmente após a primeira leitura do poema e serve bem a sua cadência gráfica e a amplitude dos seus possíveis significados: irónica se o lermos trágico, corajosa, se sobre os escombros virmos triunfar a beleza.

 

* Não nos é possível reproduzir a composição gráfica do poema, que pode ser encontrado na antologia “Um calculador de improbabilidades” (Quimera Editores, 2001)

data de publicação
16.12.2022
Poema
Ana Hatherly
Composição musical, violas d'arco, percussão, piano, contrabaixo, sintetizadores, coro, gravação e mistura
José Valente
Voz principal e coro
Marta Bernardes