Margarida, uma voz onde cabem muitas vozes

Margarida Antunes tem dedicado a vida ao canto. Uma voz que se procura, que se encontra com outras, que semeia.

 

Na infância passou um ano e meio em França, onde o pai esteve emigrado antes do 25 de Abril. Uma experiência que terá contribuído para se tornar assessora de imprensa no Instituto Franco-Português, onde passou a maior parte da sua vida profissional.

 

Antes disso, logo depois da revolução, integrou o GAC – Grupo de Ação Cultural – Vozes na Luta. Ao lado de figuras como José Mário Branco, Fausto ou Luís Pedro Faro, entre tantos outros, percorreu um país pobre e analfabeto, onde faltava tudo, e onde militares e camponeses, por um período breve mas prodigioso, se juntaram a eles num coro pela liberdade e pela justiça social.

 

Já reformada, não lhe sobra muito tempo para descansar. Faz parte da direção da Biblioteca Operária Oeirense, a mais antiga de Oeiras, e da Associação de Canto a Vozes – Fala de Mulheres, responsável pelo pedido de inscrição do canto de mulheres na lista nacional de património cultural imaterial, e é uma das fundadoras do grupo coral feminino Cramol, com mais de quatro décadas de vida e ativíssimo, entre concertos, oficinas de canto e organização de conferências.

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A poesia faz frente ao dia

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Este poderia ser um Poemundo sobre o tempo. Sobre a velhice. Sobre a guerra. Sobre a pandemia. Mas ao movimento-tentação dos jornalistas, sempre à procura de leituras do mundo, Maria Filomena Molder estende um espelho crítico, para que nos vejamos neste reflexo das palavras: “em filosofia, para falar sobre o que quer que seja, é preciso dar um passo atrás”. A frase continua, enquanto ficamos presos ao ponto final que nos derruba como a urgência de uma pausa eternamente adiada.

“Há grandes semeadores do medo, cada vez mais. E de medo e de angústia já estamos bem cheios.” Os dedos procuram a metamorfose interna de Vitorino Nemésio, virando páginas. Do programa de televisão “Se bem me lembro”, na RTP, às aulas na Faculdade de Letras, passando pelo poema de cujo final se tinha esquecido e ainda folheando o “Limite de Idade”, livro escolhido por todas as razões e mais alguma. O programa é gravado antes de 24 de fevereiro de 2022. “Temo que haja imenso exercício de petrificação dos nossos espíritos em relação à guerra”. Olho para baixo, para tomar nota desta frase, e reparo que tenho os dedos como marcadores na página 56 do “Limite de Idade”. Leio em silêncio: “A Poesia é um louco laboratório, / E eu dispo a bata para não chorar.”

 

 

Isabel Meira

Autoria
Isabel Meira
edição e montagem
Isabel Meira
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca
agradecimentos
Antena 2
RTP