Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Havia mais doze lugares à mesa e estavas sozinho
Uns não puderam aparecer porque houve greve dos comboios
outros porque havia actividades da empresa que não podiam descurar
outros ainda porque aproveitaram as férias para relaxar uns dias em Cancum
Não tinhas ninguém que te pudesse trair
não tinhas ninguém que te pudesse escutar a dizer Ecce Hommo
Comeste em silêncio uma sopa instantânea de lentilhas
e foste-te deitar
Amanhã continuarás vivo
Não terás de te dar ao trabalho de ressuscitares
e ascenderes ao céu
apenas de continuares a carregar
a tua pesada cruz
quotidiana

 

 

 

De A Matéria Escura e outros poemas (2020, Assírio & Alvim)

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca