Vivian Maier, Untitled (s/d)

Sobre a fotografia da criança que se deixa posar

de braços cruzados em frente à montra repleta

de luvas e que olha Vivian nos olhos, o historiador

destacou a importância de usar relógio. No entanto,

quanto mais a observo, mais prefiro que aqui fique

registada a condição de um certo absoluto que se

percepciona naquele olhar. E não se conseguindo

definir a natureza desse absoluto, nem o seu nome,

nem o seu tempo, nem o seu lugar, contemple-se

todo o rosto, determinado pela sujidade e pelo choro,

e a ausência de um sorriso, para se entender que

o que perturba nesta imagem, tão lírica quanto real,

é o excesso de um auto-retrato.

 

 

De Untitled (2017, volta d’mar)

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Guilherme Gomes

Sobre o autor

Nasceu em Viseu, em 1993. Estreou-se no projecto PANOS – Palcos Novas Palavras Novas, frequentou o curso de Contemporary Theatre na Royal Academy of Dramatic Arts, em Londres, e a licenciatura em Teatro, no Ramo de Actores, na Escola Superior de Teatro e Cinema. Criou os projectos Odeapessoa e Dizedor para divulgação de poesia online. Co-fundou o Teatro da Cidade. Em Teatro trabalhou com Luis Miguel Cintra, Jorge Silva Melo, João Mota, entre outros. Em 2019 venceu o prémio para Melhor Texto Português Representado, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, pelo seu texto “que boa ideia, virmos para as montanhas”. É director artístico do projecto CRETA – laboratório de criação teatral, apoiado pelo Município de Viseu. Frequenta o Mestrado em Sociologia no ISCTE.

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