Ilha dos Poetas Vivos

Estátuas
Neste país as estátuas desdenham alturas.
Traficam na praça, devassam estradas
Têm mãos pensativas e barro na planta dos pés.

Conceição Lima

 

 

No Dipanda escutamos vozes de poetas africanos nascidos depois de 1975. Neste episódio o palco é do coletivo Ilha dos Poeta Vivos, amantes da arte de dizer, musicar, dramatizar e cantar poesia. Conheci-os em junho na ilha de São Tomé, no contexto da Bienal de Artes e do Roça Língua. Os poetas Marty Pereira, Remy Diogo, Janaína Conceição, Raquel Lima e MILTONeladas abrem-nos o mundo desde a ilha onde vivem. Quando os poemas foram gravados, o grupo preparava A Caixa, uma performance poética que ambicionava ativar caminhos de libertação, “segredos clandestinos, verdades proféticas e viagens ancestrais”. Também nas suas palavras, pretendiam pensar fora da caixa e romper com paradigmas coloniais encaixotados. Uma libertação individual e coletiva que identifica as muitas caixas destruídas ao longo da história.

O que fazer depois da redescoberta de nós?, era o que os poetas indagavam, ali, naquelas terras do golfo da Guiné.

 

Marta Lança

 

 

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A certeza da música

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A XFM começou a emitir em 1993 com António Sérgio, Sofia Morais, Isilda Sanches, Nuno Galopim, entre outras vozes, a agarrarem ouvintes exigentes que fugiam das playlists comerciais que estreitavam o espectro musical das rádios nacionais.

Durante quatro anos, a estação foi bastião da rádio não massificada e da música independente, um projeto de culto, dirigido a uma “imensa minoria” que nela encontrou um refúgio de escuta (e uma escola). Porém, nunca deixou de ter frequência local, de Lisboa (91.6) e do Porto (105.8) e, mesmo aí, com graves falhas de transmissão.

“Ser ou não ser”, a canção de Sérgio Godinho escolhida por Aníbal Cabrita para o encerramento da emissão, à meia-noite de 31 de Julho de 1997, expressa bem a (des)esperança que o seu fim deixou no ar.

 

agradecimentos
radiozero.wordpress.com
masterização
Pedro Baptista, PontoZurca

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