Miguel Cardoso [compacto]

Os poemas escolhidos atravessam vários dos meus livros, onde muitos deles integravam sequências mais longas, a que foram arrancados. Ao dar-lhes esta nova morada precária, procurei fios ou ecos que formassem uma nova sequência, tendo como mote a ideia de travessia: como abrir caminho – no espaço, mas, mais ainda, no tempo? Entre outras coisas, estes poemas tratam do que o ontem nos deixou, da engrenagem das horas, do emprego dos dias, de avanços e recuos, de regressos e reveses, de parêntesis e promessas, da incerta antecipação de amanhãs. Os versos encadeiam-se e, ao mesmo tempo, hesitam, engasgam-se, saltam como agulha num disco descontínuo. Não é, portanto, apenas um encadeamento de poemas, mas uma sequência de poemas sobre o próprio processo de encadear, que vejo como um dos problemas centrais da poesia. Mesmo se o poema se esquece disso, a sua passagem à voz recorda-o: vê-se forçada a atravessar um terreno acidentado, a negociar a difícil passagem de um verso para o seguinte. Como os poemas, os dias.

 

Miguel Cardoso

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Em vésperas do Mundial de Futebol no Qatar (milhares de mortes de trabalhadores, censura dos media, restrições sobre a presença das mulheres nos estádios, num país onde a homossexualidade é crime, etc..), recuperamos dos arquivos da rádio uma crónica do craque Fernando Assis Pacheco sobre os gloriosos campeonatos de futebol de botões da sua infância.

 

Também ali se fazia negócio, com transferências de jogadores que chegavam aos três escudos, surripiados aos calções às escondidas das mães. Mas a magia vinha da fantasia, esse luxo, muito anterior aos videojogos. “Então não era formidável ter o estádio de San Mamés na cabeça, ouvir dentro do ouvido os aplausos do público?”

data de publicação
28.10.2022
masterização
PontoZurca
agradecimento
Antena 2, RDP

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