Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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[A mulher colhe a maçã]

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A mulher colhe a maçã e dá uma primeira mordida. Repara pelo peso que, do outro lado, a maçã é oca. Sai do oco da maçã uma sombrinha preta do tamanho de um polegar. É um passarinho minúsculo que foi arrancado de casa. Tentando se lembrar onde colheu a maçã, a mulher anda em direção à floresta. Mas não encontra outras maçãs e não encontra a mesma árvore. Você está sozinho agora, meu bebê, canta a mãe, voando pra longe.

 

 

 

 

Inédito

gravação
Julia Raiz
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca