Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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está escrito aqui que devemos

nos educar na espontaneidade

o que é espontaneidade

pergunta a menina salvadorenha

imagine um pássaro

usando um chapéu de coco

ele come a fruta do pecado

direto da garganta de Adão

e sai por aí espalhando sementes

 

as asas

os redemoinhos

os intestinos

sabem desenhar um tour sem volta

 

é uma coisa deliciosa, menina

ir sem ter que voltar

 

 

 

 

 

Inédito

gravação
Julia Raiz
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca