Miguel Cardoso [compacto]

Os poemas escolhidos atravessam vários dos meus livros, onde muitos deles integravam sequências mais longas, a que foram arrancados. Ao dar-lhes esta nova morada precária, procurei fios ou ecos que formassem uma nova sequência, tendo como mote a ideia de travessia: como abrir caminho – no espaço, mas, mais ainda, no tempo? Entre outras coisas, estes poemas tratam do que o ontem nos deixou, da engrenagem das horas, do emprego dos dias, de avanços e recuos, de regressos e reveses, de parêntesis e promessas, da incerta antecipação de amanhãs. Os versos encadeiam-se e, ao mesmo tempo, hesitam, engasgam-se, saltam como agulha num disco descontínuo. Não é, portanto, apenas um encadeamento de poemas, mas uma sequência de poemas sobre o próprio processo de encadear, que vejo como um dos problemas centrais da poesia. Mesmo se o poema se esquece disso, a sua passagem à voz recorda-o: vê-se forçada a atravessar um terreno acidentado, a negociar a difícil passagem de um verso para o seguinte. Como os poemas, os dias.

 

Miguel Cardoso

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A pele de Nádia Duvall

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Tudo pode ser arte e todos temos multidões dentro de nós, mas Nádia Duvall leva estas possibilidades ao limite e alberga em si uma “multridão”, um conjunto de criaturas que vão para lá da condição humana e das leis da física. Uma menina coelho, uma mulher imortal feita de areia e próteses, um demónio pássaro destruidor e primordial.

 

Nasceu em Espanha, viveu na Argélia uma infância traumática, passou a juventude em Leiria, onde o Kung Fu a salvou, e começou as suas experiências alquímicas nas Caldas da Rainha, no curso de Artes. A busca pela sua pedra filosofal não mais parou e nesse processo foi albergando as personalidades que dão livre curso às suas várias facetas e pulsões.

 

Chamam-se Oni tori, Alice Bekoumit, Mar Bekoumit, Magda Bekoumit, Matilde Vale Duvall, Emily Ham, Constança de Oliveira Martins, Odette Ghost, Louise Duvall, Helena Duvall, Leonarda Furtado, Olga Santos, Eva Mae, Vivian Dê Féte, Angelina Bekoumit. Acompanham-na dentro e fora do estúdio, seja ele um prédio de cinco andares com uma piscina-útero onde criam peles novas para recriar o mundo ou uma maquete em forma de casa de bonecas que amplia em vídeo-performances quando precisa de pôr a sua obra em cena.

data de publicação
25.11.2022
GRAVAÇÃO E MONTAGEM
Oriana Alves e I. Rodas
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca

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