Miguel Cardoso [compacto]

Os poemas escolhidos atravessam vários dos meus livros, onde muitos deles integravam sequências mais longas, a que foram arrancados. Ao dar-lhes esta nova morada precária, procurei fios ou ecos que formassem uma nova sequência, tendo como mote a ideia de travessia: como abrir caminho – no espaço, mas, mais ainda, no tempo? Entre outras coisas, estes poemas tratam do que o ontem nos deixou, da engrenagem das horas, do emprego dos dias, de avanços e recuos, de regressos e reveses, de parêntesis e promessas, da incerta antecipação de amanhãs. Os versos encadeiam-se e, ao mesmo tempo, hesitam, engasgam-se, saltam como agulha num disco descontínuo. Não é, portanto, apenas um encadeamento de poemas, mas uma sequência de poemas sobre o próprio processo de encadear, que vejo como um dos problemas centrais da poesia. Mesmo se o poema se esquece disso, a sua passagem à voz recorda-o: vê-se forçada a atravessar um terreno acidentado, a negociar a difícil passagem de um verso para o seguinte. Como os poemas, os dias.

 

Miguel Cardoso

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Zé Mendonça, congregador de poetas

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O poema Liberdade, de Fernando Pessoa, então proibido pela censura do Estado Novo, chegou-lhe às mãos no liceu de Castelo Branco, num papel dactilografado. Foi o gatilho para os escritos da juventude.

 

Regressado da guerra colonial na Guiné Bissau, na sua passagem pela secretaria do Teatro Nacional D. Maria II, José Fernando Mendonça lembra-se de andar acompanhado pelo Livro do Desassossego.

 

Mas foi já reformado de engenheiro das Estradas de Portugal, onde passou a maior parte da sua vida profissional, que se iniciou nas tertúlias poéticas e se lançou na escrita. Depois de apresentar o seu primeiro livro de poemas, em 2015, a Associação Luchapa convidou-o para dinamizar um encontro mensal em torno da poesia.

 

Hoje é responsável pela organização da Maratona de Poesia, no dia 21 de Março, e de quatro tertúlias mensais. A saber: nas terceiras 6f do mês, às 18h30, a “Poesia com Chá”, no Chá da Barra (Palácio do Egipto); nas últimas 5f do mês, às 18h30, na Fnac do Oeiras Parque; nos últimos sábados do mês, às 16h, no Foyer do Auditório Eunice Munoz (ou na Galeria Verney); e, agora, todos os sábados, das 11h às 12h, no Mercado de Oeiras, onde esperamos que os poemas tragam de volta os pregões.

 

 

data de publicação
21.10.2022
gravação e montagem
Oriana Alves e I. Rodas
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca