Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Ao Presidente

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Sua Excelência Presidente
À hora que está
Minha ventura deriva no mar morte

Onde as ondas imundas são mudas

 

Quanto vale essa mudança
Com seus jeitos de projetos maldosos
Pelos idosos, pelas viúvas?
Pelos trabalhadores entojados pela miséria do campo?
Pelos professores honestos que ensinam o bem a nossas crianças

Com um salário execrável?
Pelos estudantes, cansados de sonhar: um emprego de qualquer coisa

Depois de planejar sua aspiração profissional?
Pelos refugiados feijoada sem emprego?
E pelos outros sem voz que estão nesta foz atroz?

 

Sua Excelência Presidente

 

Sua reforma de formas me treme no coma

Enquanto minha vida conjuga como êmese

Não posso fazer as minhas braçadas

Porque sou inválido de tanto golpe

Que tomei na cabeça
É a real idade da realidade do país nos bairros

 

Receba as odes do coro nas escolas, nas universidades e nas ruas

Essa insurreição não vai estar a temer
Porque tudo anda mal
E por isso anda bem a minha sátira

Gravação
Rei Seely
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca