Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Negro dos Céus

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Em nome do Pai negro
Em nome do Filho negro
Em nome do São Espírito negro

 

Eu te digo obrigado
Para este belo abrigo

Apesar das marés e vento

Neste sol quente branco

 

Eu torno um objeto de censura

Sobre os raios amarelos
Ouve a minha voz em perigo

Álcool e drogas me coram no dia

 

Mostre-me o caminho da razão

Porque eu levo uma vida de guerra

Eu cultivo a miséria no dia
Eu coleciono o luto no Verão

 

Eu sou muito jovem para ser velho

Ajude a minha família no perigo

Diante da estátua de São Denden*

Amém!

 

 

*São Denden: Coisa insignificante (mitologia haitiana)

gravação
Rei Seely
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca