Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Para você, cabeça de vento

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Eu estou falando com você

Você que não fez a história
Eu venho de um país de pé

Saqueado pelo Galo e a Águia

 

Eu não sou nem cristão, nem católico

Que causou a guerra de cem anos

Nem da metrópole da religião capitalista

Pregando resiliência, fabricando miséria

 

Eu sou a mãe, mãe da Liberdade

Abandonada pela ignorância de desigualdade

E destruída pela Casa Grande
Em um mundo implacável de dificuldade

 

Eu tenho raízes humanistas da minha infância

Sem compromisso e com coração
Eu mostrei-lhe o caminho da razão
Nós éramos inseparáveis na época

 

Eu sei que minha vida é guerra
Você aprecia a força de meus filhos
Tratando os bons trabalhadores como escravos

Com trabalhos pesados por um salário de miséria

 

Eu não sou nem a lixeira da América
Se você utilizar minha pobreza
Para construir suas cidades de beleza
Você é sanguessuga com sua ajuda humanitária!

 

Filhos de povoamento privilegiados!
Filhos de exploração marginalizados!
A história dos povos não é uma ficção
Porque nós somos todos produtos de importação.

 

gravação
Rei Seely
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca