Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Cinemas vi no ar

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Fume-se então até ao fim

filtro e tudo o verso

 

e o amor do fogo pela palha

e a órbita dos astros mortos

 

os trapos, desde ontem em lixívia

 

Entrar na repetição

 

e entre o verso e o seguinte

 

façam-se os saltos todos

que são belos

os membros que temos no ar

 

no meio das bibliotecas

são belas

as ginásticas antes de morrer

isso e depois regressa-se

 

é como ir ao fim

do mundo comprar

tabaco e voltar

 

a casa

vê-la no seu período áureo

 

e ir já velhos

 

Tabaco e voltar

(entrar na repetição)

 

enquanto os bancos

nos levam as moradas

 

 

 

Miguel Cardoso

excerto de À Barbárie seguem-se os estendais (2015, &etc)

data de publicação
10.03.2022
gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca