Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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[Isto não está para esplendores]

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Isto não está para esplendores

 

nem por isso

 

dou por perdido tudo

 

Não suporto em silêncio o tempo frio

pelo que a escada para o jardim tem feras espécies

 

vieram ao meu chamamento

 

Estamos velhos de olhos a sintaxe nas últimas

o que dá versos de efeitos de luz em pouco eléctrica

 

a mola frouxa não dará para aviações ou catapultas contudo

 

a bizarra mecânica de ossos

vai tendo inverosímil eficácia

 

e ainda agora cheguei a conclusões

encostando a bochecha a uma maçã velha

 

porque antes mal-acompanhado

 

Querias o quê uma saída devidamente assinalada

uma visão periférica ou a electricidade ligada

 

isso não

 

mas algo feroz subiu-me à boca

e um dia hão-de chamar a isto leveza

 

 

 

Miguel Cardoso

de Fruta Feia (2014, Douda Correria)

 

data de publicação
09.03.2022
gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca