Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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[Isto não está para esplendores]

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Isto não está para esplendores

 

nem por isso

 

dou por perdido tudo

 

Não suporto em silêncio o tempo frio

pelo que a escada para o jardim tem feras espécies

 

vieram ao meu chamamento

 

Estamos velhos de olhos a sintaxe nas últimas

o que dá versos de efeitos de luz em pouco eléctrica

 

a mola frouxa não dará para aviações ou catapultas contudo

 

a bizarra mecânica de ossos

vai tendo inverosímil eficácia

 

e ainda agora cheguei a conclusões

encostando a bochecha a uma maçã velha

 

porque antes mal-acompanhado

 

Querias o quê uma saída devidamente assinalada

uma visão periférica ou a electricidade ligada

 

isso não

 

mas algo feroz subiu-me à boca

e um dia hão-de chamar a isto leveza

 

 

 

Miguel Cardoso

de Fruta Feia (2014, Douda Correria)

 

gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca