Vivian Maier, Untitled (s/d)

Sobre a fotografia da criança que se deixa posar

de braços cruzados em frente à montra repleta

de luvas e que olha Vivian nos olhos, o historiador

destacou a importância de usar relógio. No entanto,

quanto mais a observo, mais prefiro que aqui fique

registada a condição de um certo absoluto que se

percepciona naquele olhar. E não se conseguindo

definir a natureza desse absoluto, nem o seu nome,

nem o seu tempo, nem o seu lugar, contemple-se

todo o rosto, determinado pela sujidade e pelo choro,

e a ausência de um sorriso, para se entender que

o que perturba nesta imagem, tão lírica quanto real,

é o excesso de um auto-retrato.

 

 

De Untitled (2017, volta d’mar)

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sei o suficiente para decidir

não me matar

 

desconheço o bastante

para conseguir andar, talvez até fingir

que vivo

 

porque te conheço

salto no fogo

como se me deitasse

 

saberei defender-te

sonhar     ainda

o sonho que me resta

 

saber a razão do teu único nome:

a razão de todas as batalhas

travadas até aqui

 

e, por fim, contemplar

um novo modo de transporte

 

– uma passadeira, por exemplo

 

como se esta fosse um animal africano

que na preguiça se deixou caçar

por um qualquer lugar

 

para alguém poder morrer

em segurança

 

 

 

 

De Uma Fotografia Apontada à Cabeça (2019, ed. Abysmo)

 

 

 

 

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, Pedro Baptista
PontoZurca