Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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O dominó dos deuses e as hienas de Cristo (título provisório)

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a boca se aproxima

da vítima

e interroga o passante

de verde listras brancas

 

a moto

o ronco da moto avisa

O FIM DO MUNDO CHEGOU

 

os papéis dos devotos

todos gritando

ALELUIA MINHA HONDA BIZ

 

nos quartos do sujeito

a faca que sangrará o cordeiro

 

o cordeiro sou eu

e minhas palavras

são o silêncio

de cristo

 

e minhas palavras

imundam o cristo

jesus breve vem

é o que diz

salazar

aquele que veste calça jeans verde

desbotada

salazar ganhou um prêmio

tinha que conviver sete horas

com eliseu

 

eliseu

mecânico

não gosta da Honda Biz

eliseu

filho de demóstenes

cunhado de adão

assassino de cristo

 

folhetos nascem da minha imaginação

o almoço às duas

o jantar à meia-noite

 

limpo com o folheto bíblico

meu rabo quente

do sol de verão

meu rabo sentado

na Honda Biz

 

jesus disse

filho

sem capacete

você morre

 

mas deus e a faca

na minha goela

há capacete que salve

e a camisa vermelha

manchada de merda medo covardia

me salva

 

e eu correndo com o guarda-chuva

que me serve de guarda-sol

ele verde

com seu lado esquerdo

quebrado

vai me safar do inferno

 

a chave é caminhar de encontro

ao carro de mão enferrujado

 

a chave é destruir a mente

 

o jogo de anciãos

mestres do dominó

aristóteles se estivesse vivo

estaria agora com joão doido

jogando dominó e tomando pinga

 

 

 

Inédito

 

gravação
Richard Plácido
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca