Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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[o homem mais honesto comeu]

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o homem mais honesto comeu o meu pai agora come meus irmãos meus primos minha cadeira minha mesa o homem come todos com a boca do céu com a boca de cativeiro com a boca de varejeira as vitrines das lojas de maceió estão alagadas as placas viradas ontem outro homem foi assassinado estava comendo sanduíche no bolotas o bolotas em frente ao décimo e tinha outro homem filho de mãe e de pai completos não comia salivava no prato cheio de esperança na sorveteria perto do bolotas onde o homem de cueca zorba foi assassinado com um tiro nas flores na palmeira na árvore do velho do décimo do terminal de ônibus um velho com muito cabelo os cabelos brancos vendiam paciência e comia o mais honesto dos homens com a boca salivando as pernas pendentes e o homem do homem não há mais do que três homens na cena o ônibus vira a esquina a esquina do bolotas são vinte e três horas o parque está na praça a praça do circo do parque da vitta da gaiola da macaxeira do mercadinho vinte e quatro horas mas que hoje está fechado a mãe do homem passou a inexistir santa maria mãe de deus maceió um dois três módulo zero novo jardim um homem a cavalo fazendo o arrastão no ponto da curva do homem que comeu meu pai meus irmãos e salivava salivava até que

 

 

 

Inédito

gravação
Richard Plácido
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca