Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

Em qual playlist quer adicionar esta peça?

Tem a certeza que pretende eliminar a lista ?

Necessita de estar registado para adicionar favoritos

Login Criar conta
Partilhar

a agulha meu avesso

a agulha dança

a agulha amassa

a agulha se perde

bandeira do trilho

a agulha do tempo

 

a agulha canta

a agulha mata

trilhos espasmos de trilhos

o siso aguçado

tal a ponta de uma agulha

a agulha late

a agulha cura

 

a agulha aspereza

a agulha vestida de negro

o pranto arisco olhos agulhados

empunhar sete lâminas

rude agulha

agreste agulha

 

um milagre dos vivos

 

a agulha é meu infinito

a unha evidente

e Monk no meu sonho dança

e Monk

na extrema hora

engole agulhas

em ritmo silêncio

 

 

 

 

De A festa do Rouxinol (Loitxa Lab, 2021)

gravação
Richard Plácido
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca