Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

Em qual playlist quer adicionar esta peça?

Tem a certeza que pretende eliminar a lista ?

Necessita de estar registado para adicionar favoritos

Login Criar conta
Partilhar

Faz de Conta

 

 

– Faz de conta que sou abelha.

– Eu serei a flor mais bela.

 

– Faz de conta que sou cardo.

– Eu serei somente orvalho.

 

– Faz de conta que sou potro.

– Eu serei sombra em agosto.

 

– Faz de conta que sou choupo.

– Eu serei pássaro louco,

 

pássaro voando e voando

sobre ti vezes sem conta.

 

– Faz de conta, faz de conta.

 

 

 

 

Eugénio de Andrade

 

in Aquela nuvem e outras. Poemas de Eugénio de Andrade ilustrados por Júlio Resende (Edições ASA, 1986)

data de publicação
19.09.2022
texto
Eugénio de Andrade
Seleção e interpretação
Manuela de Freitas e Mário Viegas
produção
António José Martins
José Mário Branco
gravação
José Fortes (Angel Studios, Outubro de 1990)
publicação
UPAV - União Portuguesa de Artistas de Variedades, em 1990 (Vinil); Público, em 2006 (CD); poesia.fm, 2022 (versão digital)
Agradecimentos
Manuela de Freitas, Hélia Viegas, Ana Viegas Cruz, Filipe Esménio, Pedro Branco, Manuela Jorge, Paulo Ferreira e Margarida Ourique.

Peças relacionadas