Margarida, uma voz onde cabem muitas vozes

Margarida Antunes tem dedicado a vida ao canto. Uma voz que se procura, que se encontra com outras, que semeia.

 

Na infância passou um ano e meio em França, onde o pai esteve emigrado antes do 25 de Abril. Uma experiência que terá contribuído para se tornar assessora de imprensa no Instituto Franco-Português, onde passou a maior parte da sua vida profissional.

 

Antes disso, logo depois da revolução, integrou o GAC – Grupo de Ação Cultural – Vozes na Luta. Ao lado de figuras como José Mário Branco, Fausto ou Luís Pedro Faro, entre tantos outros, percorreu um país pobre e analfabeto, onde faltava tudo, e onde militares e camponeses, por um período breve mas prodigioso, se juntaram a eles num coro pela liberdade e pela justiça social.

 

Já reformada, não lhe sobra muito tempo para descansar. Faz parte da direção da Biblioteca Operária Oeirense, a mais antiga de Oeiras, e da Associação de Canto a Vozes – Fala de Mulheres, responsável pelo pedido de inscrição do canto de mulheres na lista nacional de património cultural imaterial, e é uma das fundadoras do grupo coral feminino Cramol, com mais de quatro décadas de vida e ativíssimo, entre concertos, oficinas de canto e organização de conferências.

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Pequenina

 

 

 

Eu bem sei que te chamam pequenina

E ténue como o véu solto na dança,

Que és no juízo apenas a criança,

Pouco mais, nos vestidos, que a menina

 

Que és o regato de água mansa e fina,

A folhinha do til que se balança,

O peito que em correndo logo cansa,

A fronte que ao sofrer logo se inclina…

 

Mas, filha, lá nos montes onde andei,

Tanto me enchi de angústia e de receio

Ouvindo do infinito os fundos ecos,

Que não quero imperar nem já ser rei

Senão tendo meus reinos em teu seio

E súbditos, criança, em teus bonecos!

 

 

 

Antero de Quental

De Antero de Quental, Poesia Completa (Planeta de Agostini, 2003)

texto
Antero de Quental
SELEÇÃO E INTERPRETAÇÃO
Manuela de Freitas e Mário Viegas
produção
José Mário Branco
António José Martins
gravação
José Fortes (Angel Studios, Outubro de 1990)
publicação
UPAV - União Portuguesa de Artistas de Variedades, em 1990 (Vinil); Público, em 2006 (CD); poesia.fm, 2022 (versão digital)
agradecimentos
Manuela de Freitas, Hélia Viegas, Ana Viegas Cruz, Filipe Esménio, Pedro Branco, Manuela Jorge, Paulo Ferreira e Margarida Ourique.

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