Há postos para a poesia?

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Aspirações orais

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Inquietações hertzianas

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Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Pequenina

 

 

 

Eu bem sei que te chamam pequenina

E ténue como o véu solto na dança,

Que és no juízo apenas a criança,

Pouco mais, nos vestidos, que a menina

 

Que és o regato de água mansa e fina,

A folhinha do til que se balança,

O peito que em correndo logo cansa,

A fronte que ao sofrer logo se inclina…

 

Mas, filha, lá nos montes onde andei,

Tanto me enchi de angústia e de receio

Ouvindo do infinito os fundos ecos,

Que não quero imperar nem já ser rei

Senão tendo meus reinos em teu seio

E súbditos, criança, em teus bonecos!

 

 

 

Antero de Quental

De Antero de Quental, Poesia Completa (Planeta de Agostini, 2003)

data de publicação
22.09.2022
texto
Antero de Quental
SELEÇÃO E INTERPRETAÇÃO
Manuela de Freitas e Mário Viegas
produção
José Mário Branco
António José Martins
gravação
José Fortes (Angel Studios, Outubro de 1990)
publicação
UPAV - União Portuguesa de Artistas de Variedades, em 1990 (vinil); Público, em 2006 (CD); poesia.fm, 2022 (versão digital)
agradecimentos
Manuela de Freitas, Hélia Viegas, Ana Viegas Cruz, Filipe Esménio, Pedro Branco, Manuela Jorge, Paulo Ferreira e Margarida Ourique.

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