Vivian Maier, Untitled (s/d)

Sobre a fotografia da criança que se deixa posar

de braços cruzados em frente à montra repleta

de luvas e que olha Vivian nos olhos, o historiador

destacou a importância de usar relógio. No entanto,

quanto mais a observo, mais prefiro que aqui fique

registada a condição de um certo absoluto que se

percepciona naquele olhar. E não se conseguindo

definir a natureza desse absoluto, nem o seu nome,

nem o seu tempo, nem o seu lugar, contemple-se

todo o rosto, determinado pela sujidade e pelo choro,

e a ausência de um sorriso, para se entender que

o que perturba nesta imagem, tão lírica quanto real,

é o excesso de um auto-retrato.

 

 

De Untitled (2017, volta d’mar)

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Andreia C. Faria [compacto]

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A beleza amarga, a poeta, a mãe, o cão, mulheres, porventura quem mais assombra os meus poemas, acabou por comparecer a esta leitura. Tentei chamá-las, a estas figuras, e o menos possível declamá-las.

 

 

Andreia C. Faria

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca