Vivian Maier, Untitled (s/d)

Sobre a fotografia da criança que se deixa posar

de braços cruzados em frente à montra repleta

de luvas e que olha Vivian nos olhos, o historiador

destacou a importância de usar relógio. No entanto,

quanto mais a observo, mais prefiro que aqui fique

registada a condição de um certo absoluto que se

percepciona naquele olhar. E não se conseguindo

definir a natureza desse absoluto, nem o seu nome,

nem o seu tempo, nem o seu lugar, contemple-se

todo o rosto, determinado pela sujidade e pelo choro,

e a ausência de um sorriso, para se entender que

o que perturba nesta imagem, tão lírica quanto real,

é o excesso de um auto-retrato.

 

 

De Untitled (2017, volta d’mar)

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Abriu um dicionário e começou a sublinhar as mais belas palavras. Não lhe importavam os significados, listava-as pelo som que produziam. Encarava a enciclopédia como um jardim, as palavras seriam as flores e os sons representariam fragrâncias. Pretendia uma lista que o elevasse na direcção do céu. Chegado a meio da letra “S”, deparou-se com a palavra “silêncio”. Era uma palavra sem cheiro, mas tão ou mais bonita que todas as outras palavras. Por ali ficou, pensando que, se o deserto é o mais belo dos jardins, o silêncio pode ser a mais bela das palavras.

 

 

 

De Micróbios (2021, Abysmo)

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, Pedro Baptista
PontoZurca