reservar espaço para a sombra

reservar espaço para a sombra

criar aos cacos uma

geografia quase inacessível

se reservar o direito

ao recolhimento

produzir cavidade

no interior da

palavra para

que nela também

resida

o que não se diz

em frente ao inimigo

entregar o discurso

inacabado
ocupar o fundo

de um espaço onde

a ordem que rege

não anseia testar os

limites do exotismo

de uma bicha-que-fala

de uma bicha-que-pensa

apesar de tudo

fabricar o corpo

onde não te alcancem

os olhos da máquina

de morte

ter tempo para se formular

quando não se está

destinado a ser

una cosa muy rara e só

se permitir uma narrativa

destroçada destinada a

ser falha e ruína

avolumando

falha e ruína

habitar o mistério

quando a ti ele é

negado

– especialmente aí

ser o mistério

 

 

 

De AMÉRICA (URUTAU, 2020)

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Henrique Manuel Bento Fialho [compacto]

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Pediram-me que escolhesse sete. Primeira e única regra auto-imposta: um por livro. Porquê estes? Talvez porque, juntos, sugiram um périplo por temas que me são caros. Repetem-se o silêncio, a dança, o amor versus o ódio, a ambiguidade na raiz do mundo e, antes de mais, a nostalgia de um tempo em que andávamos nus sem sentir vergonha. Vem no Génesis e percorre todos os meus livros, os aqui representados e os outros.

Posso citar Rolf Jacobsen? «O silêncio / que pousa como um pequeno pássaro entre as tuas mãos, / o teu único amigo.»

 

 

 

Henrique Manuel Bento Fialho

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, Pedro Baptista
PontoZurca