Ilha dos Poetas Vivos

Estátuas
Neste país as estátuas desdenham alturas.
Traficam na praça, devassam estradas
Têm mãos pensativas e barro na planta dos pés.

Conceição Lima

 

 

No Dipanda escutamos vozes de poetas africanos nascidos depois de 1975. Neste episódio o palco é do coletivo Ilha dos Poeta Vivos, amantes da arte de dizer, musicar, dramatizar e cantar poesia. Conheci-os em junho na ilha de São Tomé, no contexto da Bienal de Artes e do Roça Língua. Os poetas Marty Pereira, Remy Diogo, Janaína Conceição, Raquel Lima e MILTONeladas abrem-nos o mundo desde a ilha onde vivem. Quando os poemas foram gravados, o grupo preparava A Caixa, uma performance poética que ambicionava ativar caminhos de libertação, “segredos clandestinos, verdades proféticas e viagens ancestrais”. Também nas suas palavras, pretendiam pensar fora da caixa e romper com paradigmas coloniais encaixotados. Uma libertação individual e coletiva que identifica as muitas caixas destruídas ao longo da história.

O que fazer depois da redescoberta de nós?, era o que os poetas indagavam, ali, naquelas terras do golfo da Guiné.

 

Marta Lança

 

 

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Henrique Manuel Bento Fialho [compacto]

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Pediram-me que escolhesse sete. Primeira e única regra auto-imposta: um por livro. Porquê estes? Talvez porque, juntos, sugiram um périplo por temas que me são caros. Repetem-se o silêncio, a dança, o amor versus o ódio, a ambiguidade na raiz do mundo e, antes de mais, a nostalgia de um tempo em que andávamos nus sem sentir vergonha. Vem no Génesis e percorre todos os meus livros, os aqui representados e os outros.

Posso citar Rolf Jacobsen? «O silêncio / que pousa como um pequeno pássaro entre as tuas mãos, / o teu único amigo.»

 

 

 

Henrique Manuel Bento Fialho

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, Pedro Baptista
PontoZurca