Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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escrever em lenços umedecidos e

esperar secar

 

escrever em sacos de pão e

comer

 

escrever em contas atrasadas e

não pagar

 

escrever em catálogos de exposições e

tropeçar nas esculturas

 

escrever em segundas vias e

passar no crédito

 

escrever em cartões postais e

cobrir a paisagem

 

escrever em ruas asfaltadas e

aguardar o atropelamento

escrever em vidros e

limpar com vidrex

 

escrever em livros publicados e

se tornar coautor

 

escrever em muros e

assistir à demolição

 

 

 

 

De haverá festa com o que restar (URUTAU, 2018)

gravação
Francisco Mallmann
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca