Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

Em qual playlist quer adicionar esta peça?

Tem a certeza que pretende eliminar a lista ?

Necessita de estar registado para adicionar favoritos

Login Criar conta
Partilhar

você me disse

que os inimigos

estão em todo lugar

porque eles

estão antes

dentro

 

sua voz

anunciou

“é no interior a

primeira guerra”

 

foi assim

 

entendi

 

o campo

de batalha sou eu

perseguindo

a velha imagem

de anciã armada

 

onde é que conseguiremos

descansar a cabeça

descalçar a dor dos pés

desfazer as amarrações do peito

deslembrar a cor sangue

 

eu também estou furiosa

mas porque hoje te vi chegar

a luta entrou em pausa

só para depois se tornar ainda

maior

 

eu também estou furiosa

mas porque hoje você

adentrou a trincheira

sinto que o outro nome

para o combate pode sim ser

amor

 

 

 

De língua pele áspera (7Letras, 2019)

gravação
Francisco Mallmann
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca