Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Floribunda, minha querida, vim desligar-te das máquinas

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Floribunda, minha querida, vim desligar-te das máquinas.

Tens aqui duas bolachas e um sumo para o caminho.

Não havia de pêra como tu querias,

se bem que lá em cima (ou em baixo, conforme)

pouco importa.

Ouvi dizer que sobre a alma tens um calhau e

sobre o calhau um balde de tinta

que te pinta de pobre e te julga inútil.

Sempre foste um mau negócio.

Permaneces igual.

Estragaste o autoclismo cá do sítio

como estragavas os meus dias de folga.

Mas nada te toca.

Moldas em vão estas cruzes de espera.

Na apatia dos crepúsculos,

o Inverno inventa a tua última palavra.

Escuta.

É por ti que os grilos cantam

e a noite se prepara para regressar

no interior das gavetas.

 

 

Golgona Anghel

in Nadar na piscina dos pequenos (2017, Assírio & Alvim)

gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca