Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

Em qual playlist quer adicionar esta peça?

Tem a certeza que pretende eliminar a lista ?

Necessita de estar registado para adicionar favoritos

Login Criar conta

Não gosto de contar os desastres em detalhe

Partilhar

Não gosto de contar os desastres em detalhe

mas, se quiserem, posso escrever uma lista com nomes e camas.

 

Sou bem capaz de molhar o pezinho na história da barbárie,

condecorar o medo,

cortar-me a mão com que limpo as feridas

de uma civilização em queda.

 

Posso perfeitamente

ir afiando o gume da esperança

com a flor branca de um cancro.

 

Sou, em definitivo, este comediante de rua

que serve a desconhecidos,

em copos pequenos,

a medida certa da sua agonia.

Descobre sonhos

onde outros só encontram coelhos.

Hoje, por exemplo, quando tirou as luvas,

viu que lhe faltavam dedos.

 

 

 

Golgona Anghel

in Como uma flor de plástico na montra de um talho (2013, Assírio & Alvim)

 

data de publicação
02.03.2022
gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca