Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Não gosto de contar os desastres em detalhe

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Não gosto de contar os desastres em detalhe

mas, se quiserem, posso escrever uma lista com nomes e camas.

 

Sou bem capaz de molhar o pezinho na história da barbárie,

condecorar o medo,

cortar-me a mão com que limpo as feridas

de uma civilização em queda.

 

Posso perfeitamente

ir afiando o gume da esperança

com a flor branca de um cancro.

 

Sou, em definitivo, este comediante de rua

que serve a desconhecidos,

em copos pequenos,

a medida certa da sua agonia.

Descobre sonhos

onde outros só encontram coelhos.

Hoje, por exemplo, quando tirou as luvas,

viu que lhe faltavam dedos.

 

 

 

Golgona Anghel

in Como uma flor de plástico na montra de um talho (2013, Assírio & Alvim)

 

gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca