Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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O desenho era tão simples

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O desenho era tão simples

que ninguém se deu ao trabalho de ler as instruções até ao fim.

Bastava seguir a intuição.

Abrir o bico e agarrar o primeiro anzol

que a necessidade atirava no escuro.

 

Sigam as luzes, diziam lá em cima.

Mas, cá em baixo, a rede era tão larga

que os grandes peixes conseguiam passar.

Questão de olhómetro,

asseguravam os mais experientes.

 

Seria então preciso

baixar o tom,

esperar deitado para poupar nas calorias,

abreviar os gestos,

desligar os motores,

reduzir o desperdício,

concentrar a fé

num só lugar:

julgar que o fumo dos cigarros

acaba sempre por confundir-se com as nuvens.

 

 

 

Golgona Anghel

in Nadar na piscina dos pequenos (2017, Assírio & Alvim)

data de publicação
05.03.2022
gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca