Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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O desenho era tão simples

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O desenho era tão simples

que ninguém se deu ao trabalho de ler as instruções até ao fim.

Bastava seguir a intuição.

Abrir o bico e agarrar o primeiro anzol

que a necessidade atirava no escuro.

 

Sigam as luzes, diziam lá em cima.

Mas, cá em baixo, a rede era tão larga

que os grandes peixes conseguiam passar.

Questão de olhómetro,

asseguravam os mais experientes.

 

Seria então preciso

baixar o tom,

esperar deitado para poupar nas calorias,

abreviar os gestos,

desligar os motores,

reduzir o desperdício,

concentrar a fé

num só lugar:

julgar que o fumo dos cigarros

acaba sempre por confundir-se com as nuvens.

 

 

 

Golgona Anghel

in Nadar na piscina dos pequenos (2017, Assírio & Alvim)

gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca