Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Golgona Anghel [compacto]

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Os sete poemas escolhidos para leitura foram retirados de três livros: Vim porque me pagavam (2011, Mariposa Azual), Como uma flor de plástico na montra de um talho (2013, Assírio & Alvim) e Nadar na piscina dos pequenos (2017, Assírio & Alvim).

A escolha é aleatória, assim como é anárquica a força da imaginação que os provocou. Digo provocação, porque talvez seja isso que o poema procura: uma voz em jacto, com toda a elevação e a fatalidade da queda que isto implica. Quanto subiu, se subiu?

Subiu dez andares para assim nos poder olhar de frente. O que confessa? Uma memória inventada: diz que gostava dos chocolates Toblerone que a tia trazia no Natal. Com que propósito? O de um colecionador de ocasião que vai juntando cabelos nas folhas de um herbário sentimental. Escreve a palavra vazio depois da palavra espera. É como a Salomé — dizem — pede cabeças mas só lhe entregam pizzas. Perdeu a fé num ataque de riso. Exige agora silêncio e um copo de tinto, enquanto apresenta em directo a autópsia da sua glória.

 

Golgona Anghel

data de publicação
06.03.2022
gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca