Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Golgona Anghel [compacto]

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Os sete poemas escolhidos para leitura foram retirados de três livros: Vim porque me pagavam (2011, Mariposa Azual), Como uma flor de plástico na montra de um talho (2013, Assírio & Alvim) e Nadar na piscina dos pequenos (2017, Assírio & Alvim).

A escolha é aleatória, assim como é anárquica a força da imaginação que os provocou. Digo provocação, porque talvez seja isso que o poema procura: uma voz em jacto, com toda a elevação e a fatalidade da queda que isto implica. Quanto subiu, se subiu?

Subiu dez andares para assim nos poder olhar de frente. O que confessa? Uma memória inventada: diz que gostava dos chocolates Toblerone que a tia trazia no Natal. Com que propósito? O de um colecionador de ocasião que vai juntando cabelos nas folhas de um herbário sentimental. Escreve a palavra vazio depois da palavra espera. É como a Salomé — dizem — pede cabeças mas só lhe entregam pizzas. Perdeu a fé num ataque de riso. Exige agora silêncio e um copo de tinto, enquanto apresenta em directo a autópsia da sua glória.

 

Golgona Anghel

gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca