Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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O primeiro que deixei

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O primeiro que deixei

foi o Jimi Hendrix, à saída dum bar.
Passou a noite a desfilar
ao longo dum tapete ad hoc:
sobre garrafas partidas e rios de Super Bock. Tinha os pés a sangrar

de tanto andar em cima do mar.

Seguiu-se o rapaz do Lidl.
Coitado, este não tinha nenhuma hipótese, se para imaginar precisava de prótese. Meu Deus, pensava,
se ficar mais com ele,
vou acabar por escrever epigramas
para revistas baratas e damas.

Depois tive que abandonar numa estante de livraria
o meu autor preferido
e a sua melancolia:

«És como a Salomé -dizia- Pedes cabeças
mas só te entregam pizzas.»

 

 

Golgona Anghel

in Vim porque me pagavam (2011, Mariposa Azual)

gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca