Vivian Maier, Untitled (s/d)

Sobre a fotografia da criança que se deixa posar

de braços cruzados em frente à montra repleta

de luvas e que olha Vivian nos olhos, o historiador

destacou a importância de usar relógio. No entanto,

quanto mais a observo, mais prefiro que aqui fique

registada a condição de um certo absoluto que se

percepciona naquele olhar. E não se conseguindo

definir a natureza desse absoluto, nem o seu nome,

nem o seu tempo, nem o seu lugar, contemple-se

todo o rosto, determinado pela sujidade e pelo choro,

e a ausência de um sorriso, para se entender que

o que perturba nesta imagem, tão lírica quanto real,

é o excesso de um auto-retrato.

 

 

De Untitled (2017, volta d’mar)

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As raparigas da minha terra

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para o Rui Costa

 

 

 

As raparigas

da minha terra

 

há muito que

deixaram de usar

 

saia rodada até

aos joelhos

 

Preferem calças

justas bem apertadas

 

na zona do rabo

frequentar esplanadas

 

beber cerveja

dizer de vez em quando

 

uma ou outra asneira

Pois as raparigas

 

da minha terra deixaram

de namorar às janelas

 

e já não passam

o tempo a arear tachos

 

Preferem antes o banco

detrás de um carro

 

O escuro da Serra

 

 

 

 

 

 

De Mapa (2008, Livrododia)

 

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, Pedro Baptista
PontoZurca