Vivian Maier, Untitled (s/d)

Sobre a fotografia da criança que se deixa posar

de braços cruzados em frente à montra repleta

de luvas e que olha Vivian nos olhos, o historiador

destacou a importância de usar relógio. No entanto,

quanto mais a observo, mais prefiro que aqui fique

registada a condição de um certo absoluto que se

percepciona naquele olhar. E não se conseguindo

definir a natureza desse absoluto, nem o seu nome,

nem o seu tempo, nem o seu lugar, contemple-se

todo o rosto, determinado pela sujidade e pelo choro,

e a ausência de um sorriso, para se entender que

o que perturba nesta imagem, tão lírica quanto real,

é o excesso de um auto-retrato.

 

 

De Untitled (2017, volta d’mar)

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manuel a. domingos [compacto]

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O primeiro poema foi publicado em 2008. O último em 2022. E entre essas duas datas escrevi (e nalguns casos publiquei) os restantes. Deixei de fora, de propósito, os poemas publicados em 2002. Sim: os poemas do primeiro livro ficaram de fora. Não me envergonho deles, mas já não falam tanto comigo. Excepto um. Guardo-o para outra altura. Concluindo: não publiquei muito até agora. Ainda bem.

 

 

 

manuel a. domingos

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, Pedro Baptista
PontoZurca