Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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no meio do riso à toa
quero tatuar seis vezes
seus olhos
que enrugam ao dizer sim
mapear de ponta a ponta o siso
registrar
a calda fina da sua voz
que diz
é assim mesmo
ondular o sopro cinza
às vezes azulado
remeter a fotografia suja
em papel fosco
sempre que fecho meus olhos
sempre que penso no chiado no meio do teu nome
sempre que paro e lembro
embrasar o verso é deitar sem sono

 

 

 

Inédito

gravação
Érika Santos
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca