Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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deus não me basta

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nunca foi me dado por deus
transformar em carta
o dorso amarelo duma imagem
deus esconde em mim
formas incompletas
de habitar um chão noturno
não me foi calmo construir o nome dorsal de deus
antes recorto com a calma de deus
meus olhos deitados no papel fotográfico
escalo as camadas caudalosas duma pálpebra
e digo com toda incerteza deus não me basta

 

 

 

Inédito

 

gravação
Érika Santos
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca