Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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é impossível dizer o braço de um rio

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é impossível dizer
se no braço do rio há um barco
porque quando o rio se move
não se move como um braço de rio
ele não sabe se
dentro dele habitam outros rios
por isso seu corpo é só um corpo
seu riso são seus olhos que não sabem se
no rio havia um barco
por isso sua curva sua sombra
não pairam sobre o rio
por isso eu teimo a palavra que me foge
por isso eu penso
a estranha velocidade dos carros
é impossível dizer a velocidade
do que foi dito antes do barco
se as luzes conseguem alcançar suas mãos
cortar as partículas do tempo
se elas conseguem ao menos
avistar as cores ao seu redor
por isso é impossível dizer o braço de um rio
porque a palavra ainda me foge

 

 

 

 

Inédito

 

gravação
Érika Santos
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca