Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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de vez em quando ser pedra

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se a pedra pudesse
alcançar as linhas
das suas mãos
diria o jeito azul de uma baía
o círculo cortante das bordas
de uma pedra
se a pedra pudesse dizer
o vir das ondas dizer
o verde mato
a envolver
suas costas diria
ser pedra
é ouvir sair seus pés no azul
cortar as baías de um canto
a outro canto
ser pedra
é dançar a geografia
das ondas
dizer as alvas bordas
das ondas
ser pedra
é descobrir o áspero modo
despetalar as torres
perseguir como nunca
uma imagem ingênua
se perder colidir
singrar a noite
num quartzo rosa

 

 

 

 

Inédito

 

gravação
Érika Santos
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca