Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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caminhar sozinha pelo parque Ibirapuera

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como se não bastasse
a fotossíntese do céu
a palavra a refazer seus pés
as linhas da calçada
o sol a cerrar seus olhos
o sonho a rotação da cidade
os ipês o pátio vazio de gente
que veste azul

que veste a sombra da tarde
como se nenhum afeto valesse
como se a mentira tomasse conta
das folhas secas
num solo seco
pela manhã

como se não bastasse suas mãos
ainda vivas
suas mãos
a dançar com o vento
o céu a fingir-se íntimo
rosáceo
os pés convite atento
a suportar a vaziez
feito caminhar sozinha
pelo parque Ibirapuera

 

 

 

 

Inédito

 

gravação
Érika Santos
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca