Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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disparar em vento as coisas cruas do amor
do amor rumo às avessas
surgir turvas ondas das palavras
encontrar nas coisas cruas do amor
o azul do dia de todos os santos
sonhar o mar seis vezes
ser todo som
à fuga do seio de uma concha
segredada com seu nome

 

 

 

Inédito

gravação
Érika Santos
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca