Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Ele teme não ter amor para o tanto que ama

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O que te faço desta alegria com que te olho?

Perder-te seria inglório, cuidar-te parece pouco.

Que faço, o que te faço,

se ultrapasso o que me sinto,

da transfusão me transbordando,

e mais temo o fracasso

de não saber chamar o nome

ao que desamo de tanto amar?

 

Talvez que eu em mim já não exista…

Que vivas, provas que há vida

pra lá de mim;

porém não podes tu apenas ser quem sejas

e seres, resplendente,

a sombra de perdão.

O que fazer às coisas que eram antes…

Que te olho de lá de mim!

 

Que a alegria tomou conta das alegrias,

esboroou a crosta ao pão da noite

e deu a ver o miolo azul do dia

e um girassol de luz por entre as nuvens!

Que o pouco de mim que eu era

entornou-se e se fez grande

e a baleia quis pulmões no lento mar

pra respirar-se em se afundar de si…

 

Não sei o que me faça deste tanto que me apouca.

Que fazer? Que as montanhas são tão altas!

Como dançar com gigantes?

Que loucura de se ter!

Quando me esqueceres, por Deus, não me esqueças!

O espelho fez-me novo já tão velho…

Desliga a máquina a este sonho.

O meu coração mais puro do que eu!

 

 

 

 

De Cães de chuva (2021, Assírio & Alvim)

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca
Agradecimentos
E-learning Café Botânico e Teatro Carlos Alberto