Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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O marmelo já merecia

um poema.

 

Não a lassa marmelada,

essa adocicada mutilação,

 

essa abjecta humilhação

de um fruto rijo, baço, brutal

 

mas o marmelo protuberante,

possante, sem sentimentos

 

deixado a secar num estendal

vergando sobre tão pesado sol.

 

 

 

 

 

De Cães de chuva (2021, Assírio & Alvim)

data de publicação
14.03.2022
GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca
agradecimentos
E-learning Café Botânico e Teatro Carlos Alberto