Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

Em qual playlist quer adicionar esta peça?

Tem a certeza que pretende eliminar a lista ?

Necessita de estar registado para adicionar favoritos

Login Criar conta

O projeccionista

Partilhar

Ouvi contar que durante a primeira grande guerra

ex-combatentes sem rosto se escondiam

atrás da bobine como projeccionistas

durante a idade de ouro do mudo.

 

Como bustos romanos, sem narizes,

rinocerontes mutilados, entricheirando-se

nas sombras realistas no outro lado da lanterna

mágica, quasímodos de sétima arte,

 

a besta de onde a bela luz

de Griffith, Gance e Sjöström

brotava para banhar os seus corpos

atléticos, esbeltos, imensuráveis.

 

Assim, jorrava a luz como água cristalina,

arte disparada de negra gárgula!

Assim, Europa, ilusória tela, tu,

das valas de quantos narizes te não projectas!

 

 

 

 

De Cães de chuva (2021, Assírio & Alvim)

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca
agradecimentos
E-learning Café Botânico e Teatro Carlos Alberto