Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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[Ideia repentina de ser nada]

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Ideia repentina de ser nada.

Como fuzil, tão súbita e estranha,

queda por dentro, vertigem em chama –

pedais e volante, curva de estrada.

 

Noite diáfana em luz que desliza.

Pontos que dançam. Suaves traçados.

Fundo que assomas por todos os lados.

Chuva brilhante, na estrada que gira.

 

Estrada, estrada veloz, espécie de espuma.

Morrer é fácil – e então a dor?

Velocidade. Desejo de ser pluma –

 

o corpo ardente será o que for.

A carne e a consciência… entre uma

e outra – tanto dança, como dor.

 

 

 

 

 

De Sonetos de Amor e Morte, de Maria do Mar (livro inédito)

data de publicação
05.04.2022
GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca